Inquietações da alma
Que não suporta o vazio
De um lugar frio...

Que não esquece
Que não quer esquecer
O que em tempos foi riso
Vida
Alegria
E que hoje...
...é apenas uma sombra
Que deambula nos escombros
De uma casa vazia
Tão fria...!

Por isso chora
E lambe o sal
Que lhe escorre da face
Em silêncio...

E prefere sentir
O frio lancinante
Do vazio
Que lhe trespassa o corpo
Com o gume
De uma espada
Afiada
Com que se vai alimentando...

Ao nada
Que a deixasse morrer
De fome
Por nada mais
... sentir!


Convidamos todos os luso-poetas a estarem presentes no III encontro do Luso-Poemas a realizar no próximo dia 13 de Dezembro, em Lisboa.
Pretende-se, mais uma vez, passar do virtual ao real, permitindo que as pessoas por detrás dos avatares se conheçam. Quem já participou nos encontros anteriores sabe o quão gratificante pode ser. E sabe o quanto nos divertimos.
Este encontro reveste-se duma roupagem especial. Sob a chancela da Edium Editores será lançado o livro “Antologia Luso-Poemas 2008”, uma compilação de diversos textos de vários autores que publicam no nosso site.

Lista de Poetas da Antologia da Luso-poemas 2008




Convidamos, por isso, todos os utilizadores e seus acompanhantes a participarem no III encontro do Luso-poemas, onde terá lugar o lançamento desta antologia

Vejam mais informações em

http://www.luso-poemas.net/modules/sm ... ction/item.php?itemid=371

Informações adicionais
Dia
13 Dezembro 2008

Local
Campo Grande nº 56 em Lisboa

Como chegar
Autocarros – 36, 21, 45, 38
Metro/Comboio – Estação de Entrecampos

Mapa
http://codigopostal.ciberforma.pt//codigo_postal.asp?n=109684

Programa

11h30 – Recepção
12h30 – Almoço
15h – Apresentação da Antologia
17h – Porto de honra
20h – Jantar (sítio a escolher em Lisboa, no próprio dia, sem compromissos)

Inscrevam-se através de PM para o utilizador Luso-poemas

 
Mergulho no Mar da Poesia, é o nome do livro que esta menina, de seu nome, Carla Costeira nos irá dar a conhecer dentro de poucos dias.
O livro será apresentado pelo escritor Paulo Afonso Ramos, no próximo dia 12 de Dezembro, Sexta-feira, pelas 21:30 horas no Auditório do Campo Grande, n.º 56, Lisboa. A autora conta com a presença de quem lhe quiser dar esse prazer!




Já se passaram vários dias
Desde o último
Em que por aqui
Fui vista...


Sei que ainda me esperas
Na curva dos dias curtos

Na orla do tempo
Onde o sol desaparece
E o frio se acentua


Não desistes
Insistes!
E resistes
Na tua espera
Porque tu sabes que eu volto...

É verdade
Volto sempre...

... na volta
De um instante qualquer
Entre um ontem
E um amanhã...

Bem sei que não te conheço
Mas hoje sou eu quem te espera
Desafiando o desconhecido

Ousando pisar ao de leve
Os calos do teu desejo
Espicaçando-te a vontade
Que permanece
Que ainda espera...
E onde quase desespera.

Talvez mais logo
Me encontres
No desassossego
Da tua espera...


... sentada nas brumas da madrugada
Entre as margens de um rio
[por onde correm selvagens e livres,
as minhas singelas palavras]...

Não te conheço
Não me conheces
[mesmo pensando que sim
... quando de mim te apoderas, e me fazes tua...
com esses teus olhos gulosos,
que me penetram até à alma
e me devoram a medula dos poemas...]


Amigos,
No próximo dia 23 de Novembro, às 15 horas, no Auditório do Museu do Vinho da Bairrada em Anadia vai ser o lançamento do primeiro livro da minha grande amiga Vanda Paz, "Brisas do Mar", editado pela Edium Editores.

O prefácio é de António Paiva e o escritor irá também apresentar a obra.

A belíssima capa foi desenhada e pintada por Helena Paz, mãe da autora.
Para todos que queiram partilhar estes momentos mágicos, ficam aqui duas datas a marcar na agenda:


Pré - Lançamento
Dia 21 de Novembro
Escola Superior Agrária de Santarém em Santarém
Às 21 horas no Auditório da Escola


Lançamento
Dia 23 de Novembro
Museu do Vinho da Bairrada em Anadia
Às 15 horas no Auditório do Museu


Tenho um lago de palavras desordenadas, bem no meio do meu jardim secreto, escondido no lado oculto da minha mente, que ninguém conhece a não ser eu. São palavras de todos os tamanhos, de todas as cores e feitios. Algumas são tão leves, que se esgueiram pelo meio das outras,  emergindo num bailado borbulhante de letras...
Outras, são mais pesadas e mantêm-se no fundo, presas ao chumbo cinzento que as reveste.  Há ainda aquelas, que não sendo leves nem pesadas, formam uma massa uniforme que se passeia pacientemente em pequenos círculos fechados e submersos.
Há palavras, que, de tão belas, são as que mais brilham no meio de todas, provocando olhares de inveja nas outras, pois seriam sempre as primeiras a ser escolhidas, para adornar um qualquer poema de amor, que algum poeta apaixonado pela sua musa inspiradora se lembrasse de escrever.
Há outras, que de tão feias serem, pouca gente lhes dá importância, rejeitando-as desde sempre. São usadas na voz da noite vadia, vomitadas pelas bocas podres dos que pernoitam a margem das linhas rectas da vida, em calões e gírias que só eles entendem...
Tenho tantos lugares ainda desertos, nas linhas imaginárias do meu caderno amarelo de poemas, que vou escrevendo em segredo. Espero só pelo momento certo...
Mas hoje não! Hoje não vou escrever nada...



Há um rosto vazio
Escondido
Por detrás dessa máscara
Que usas
Com vaidade...
E por momentos
Breves instantes que sejam
Iludes quem passa
Iludes-te...

Inventaste um mundo
Fantástico
Misterioso... hipócrita!
Onde tu não és tu
Mas o outro...
Aquele que está preso
Dentro de ti
E que só vês
Do outro lado do espelho...

Escondes o teu sorriso
Cínico...
O brilho dos teus olhos
Chispados de raiva
E mantens a farsa
Rilhando os dentes
... até doer!
Mostrando-te um génio
Intocável
Sensível
Com sentimentos profundos
Ainda que roubados
A corações incautos...
E atinges um orgasmo
Solitário...
Num acto de prazer
... mórbido!

Apesar dos pesares
Admiro-te!
Admito...


Eco de um choro...


Tristemente belo
É assim que te leio
É assim que te sinto
Mergulhado no teu mundo
Onde o negro da noite
É o teu refúgio
Onde o silêncio
Te habita
E se te entranha na pele

Essas sombras que deambulam
Pelos recantos do teu sentir
São os seres horrendos
Impiedosos
Que te impelem a escrever
E tu
Cego de amor...
Segues os seus conselhos
Pisando o tempo
Chorando palavras
Ensanguentadas de dor

Escrevendo...
Para não morrer!

Este singelo, mas sentido poema, foi inspirado aqui...




O lusco fusco era a hora perfeita. Desliguei o botão do aparelho que me obrigava a permanecer no mundo real e voltei ao meu lugar secreto, para onde fujo sempre que posso, levada pelo embalo dos meus pensamentos...
A lua já tinha subido meio palmo no horizonte, desde a sua silenciosa chegada. Ali estava ela, imponente e divina! A deusa daquele céu imenso, de tom alaranjado, agora ainda mais belo, à medida que a lua o ia banhando de prata.
Aproximei-me vagarosamente da janela do tempo e debrucei-me sob o parapeito das minhas lembranças, que, manhosamente, me levaram para um lugar tão distante dali...
Revisitei-me numa outra vida, vivida em segredo e há muito tempo. Secretamente guardada num baú invisível, qual tesouro pirata que só eu sei onde está.
Ali fui até rainha! A rainha de um reinado estranho e misterioso. Só meu!
Nesse reino onde havia também um escravo... um servo que, quando queria , sabia ser dedicado, ao ponto de me fazer sentir especial sem o ser... a cumplicidade era o nosso reino cheio de regras impostas pelo meu sentimento. Ainda sinto o perfume do pecado no ar... o sabor adocicado do proibido... onde a loucura tomava as rédeas da envolvente sedução, desbravando os caminhos que nos levavam até aos limites do irracional...
Mas houve um dia, que o orgulho falou mais alto e compreendi o quanto ele pode ser severo e cruel, desencadeado por um outro sentimento, que eu sabia existir em mim, mas não nele. Pois ardi muitas vezes, nas labaredas do ciúme, que me consumiam a alma até mais não poder. Sofri tudo isso em silêncio, sem nunca mostrar um só sinal de sofrimento, transformando as chagas em sorrisos. Talvez para que não acordasse a vontade do abandono, que eu não queria, mas sabia estar latente e pacientemente à espera de uma oportunidade. Achava-me forte!
Mas há sempre um fim para tudo. E o dia do fim daquele meu reinado, tinha finalmente chegado pela noitinha .Naquele dia soltei as amarras que me prendiam a algo que no fundo eu sabia ser uma ilusão.Fiquei livre, mais leve e muito mais solta. Aprendi uma grande lição, não se pode querer o que não nos serve!
Aprendi aos poucos a ter confiança em mim.Aprendi a ser EU!
Não tenho saudades, mas foi para lá que o meu pensamento me levou hoje.
Já de regresso ao mundo real, retomo as tarefas banais de mais um fim de dia, tão igual ao de ontem, tão igual ao de amanhã... até que chegue aquela hora mágica, que me levará de novo ao cais dos meus pensamentos.Num outro lugar, num outro tempo...




A noite desceu
Sob o horizonte
Dos meus sonhos...

Caiu uma bomba
Vinda dos céus
Há mortos espalhados
Por todo o lado!

Não sei onde estou
Não tenho para onde ir
Escureceu tudo à minha volta...

Onde estará a minha mãe
Que não me vem buscar?

Grito...
Mas ninguém me ouve
Nem o meu pai
Nem os meus irmãos
Onde estão os meus amiguinhos?
Terão eles morrido também?

Não...
Não pode ser!

Estou aqui
Sozinha
No fundo deste abismo
Num vale sombrio
Sem árvores
Sem pássaros
Sem chão...
Tenho medo!

Nada se move
À minha volta
Sinto um cheiro forte
Nauseabundo
A carne queimada

Grito de novo
Ninguém me ouve
Ninguém me procurou ainda
Ninguém deu pela minha falta...

Estou só
No vale da morte
Sou orfã de mim mesmo!...