Dobrei a tristeza
E arrumei-a lá bem no fundo
Mesmo ao lado
Das ilusões
Das desilusões
E das agruras da vida
Meti-as na mala
Para que não me esquecesse
Do mal que me fizeram...
Fui buscar também os sonhos
Que ainda me restavam
E arrumei-os na bolsa de fora
Para estarem mais à mão
No acaso de se virem a realizar
Mera fantasia...
Ainda havia muito espaço
Na minha mala de viagem
Por isso
Também lá meti as saudades
Que me chegaram
Com o vazio deixado
Por alguém muito querido
Só faltava a esperança
Que tinha perdido algures
Entre o sonho e a realidade
Mas que me apareceu de novo
Assim como que por magia...
Quando já não a esperava
Arrumei-a com cuidado
Para que não se amarrotasse
Juntei as promessas todas
E misturei-as com as mentiras
Que me ofereceram um dia
Meti tudo no mesmo saco
Que não meti na mala...
Deitei-o fora!
Sentada na paragem deserta
E enquanto espero pelo autocarro
Que tarda...
Faço contas à vida
Do que já passou
E do resto
Daquele que ainda me falta...
Somo tudo
E já é menos de metade!


28 impulsos:

suruka disse...

Impulsos

Espera la. Deixa que repita o INICIO E O FINAL, por favor:
- DOBREI A TRISTEZA
E JA È MENOS DE METADE.

Isto é muito profundo e BELO.

ENCANTADO!!!

Lívio disse...

São palavras (poéticas, claro) de quem sabe tirar partido da vida. São palavras sábias de quem aprendeu a viver, consigo e com os outros.
Qualquer adjectivo será superfluo pelo valor que estas belas palavras contêm!

Suruka tem razão. O início e o final formam uma frase muito profunda e bela.

Tenho ainda que dizer que me identifico nestas tuas palavras.

Pronto!...

multiolhares disse...

Não faças contas á vida
Nem deites fora a mala das amarguras
Ela faz parte do teu crescimento interior
Ainda que pela negativa, vais fortalecer, estar mais
Atenta á maldade do mundo, e dar mais
Ênfase á verdadeira amizade

Beijinhos
luna

adc disse...

Perde essa mala cheia de tristeza num aeroporto qualquer.
:)

bjs

MIMO-TE disse...

Também eu queria uma mala bem grande para meter tudo isso.:) Mas a maldade não sei se caberia na mala! :)Ah! já sei fazia como as crianças, colocava tudo num fugetão e enviava para bem longe... :)

Beijos e mimos meus

Sant'Ana disse...

Prático e cómodo.
Mas quem se atravessa à poesia não gosta de utilitários, não é assim? Então venham dores, amores, dissabores, risos e lágrimas e tudo o mais que de amalgama somos feitos.

Vertigo disse...

Esta música (...)

vertigens1.blogspot.com/2007/08/sweet-dream.html

In Loko disse...

Belo poema querida amiga Cleo... mas está magoado, no fundo o poeta é um fingidor não é?

Tens tanto nessas malas que a tua vida perdia sentido se as deitasses fora... volta a remexer... olha tanto aí dentro para aproveitar!!!

Beijinho grande pra ti!!!

Kianda disse...

E tantas vezes é tão mais fácil fugir... mas, por mais longe que o destino nos atire, connosco vai sempre tanto de nós (sonhos, tristeza, saudade, alegria, mentiras, verdades, momentos, instantes...)... que por mais longe de nós que possamos estar, estaremos sempre connosco...!

Som do Silêncio disse...

Gosto imenso da tua sensibilidade.
Nas tuas palavras tantas e tantas vezes me revejo...

Beijo Silencioso

Plum disse...

Deixo um abraço pelas tuas palavras!!!***

Rosa Maria Anselmo disse...

Olá doce Cleo

"Dobrei a tristeza
E arrumei-a lá bem no fundo"

"Meti-as na mala
Para que não me esquecesse
Do mal que me fizeram..."

Deita-a fora também, juntamente com as promessas e as mentiras....
um doce beijo
Rosamaria

rui disse...

Olá Cleo

Pela tua mão, as palavras têm outro sabor!
Adorei este poema.

Beijinho, Cleo

Márcia disse...

Ainda bem k conseguiste arrumar tudo... que arranjes ao longo da vida outra mala bem grande para arrumar aquilo que é menos bom...


Beijinhos

as velas ardem ate ao fim disse...

Arrumar e ficarmos sempre tao desarrumados...

bjinhos

littledragonblue disse...

E no final, guarda o mal no baú, e colocas os sonhos dentro do teu peito, para que possas sentir no coração, o sopro da felicidade...

Um beijinho e votos de uma boa semana

Secreta disse...

Preparaste a tua mala de viagem . Uma mala que se vai enchendo a cada dia que passa , com amores , dissabores , sonhos , ilusões ... coisas boas e coisas más ... Mas não guardas tudo nessa mala . Foste coerente e deitaste fora o dispensável :).
Beijito.

Brain disse...

Gosto assim.
Só não deito fora.
Guardo sempre todos os sacos comigo.
Para lembrar...
Para não me deixar esquecer,
E deixar que aconteça de novo.

Muito Bom!

Beijo.

Bia disse...

UAU!!!!!
Vi-te pela 1ª vez!
Senti cada palavra como sendo tua e profunda já agora como o mar...
Eu guardo TUDO, especialmente o mau, porque o bom basta fechar os olhos e lembrar...
Agora no mau poso dizer-Te que tirei o curso e o mestrado :)
Adorei ver-te assim.
beijo meu

Já agora aposto que tudo isto foi escrito num impulso, não foi??

Diva disse...

Sabe tao bem sofrer em poesia... broto lagrimas e sorrisos...aos molhos.Ah... adoro os teus impulsos musicais :)
Bjs meus

Um Momento disse...

Adoro esta musica...
As tuas palavras... sentidas..
Mas somemos as alegrias e sorriamos...
Deixo um beijo... em ti

marco disse...

sempre linda!
sempre comovente
sempre tu!
sempre para sempre!

fui eu que fiz!


beijus..estou aqui!

SAM disse...

Tenho encontrado consolo nos teus textos poéticos, Cléo. Seu post do dia 4/11 vem sendo constantemente lembrado por mim. E espero também conseguir fazer uma equação como a tua. Obrigada pelos textos, querida. Foi de grande valia. Absorvir força e ânimo. Me senti abraçada.

Beijo enorme.

Vera disse...

Querida Cleo, está lindíssimo! Muito profundo, com pensamentos belíssimos.
Espero que a esperança nunca se amarrote nem nunca te abandone!

Um beijo grande

Dias disse...

É precisamente por os dias a viver serem menos que os vividos, que os que se ha de viver têm de ser percorridos com outro apetite.

Tu estás numa fase particularmente boa de escrita, e neste caso dá-me prazer ler o feeling de quem empacota/reune bagagem.

Beijo

Obscuridade Translúcida disse...

Será ainda menos na próxima contagem...

Musica fantastica, ja tinha saudades....

Nilson Barcelli disse...

Fizeste bem deitar o saco fora.
Por vezes a ruptura é a única saída possível.
Disseste tudo isso num poema muito bem escrito. Gostei.
Beijinhos.

seforis disse...

Não me parece que tudo somado dê o resultado que dizes :-) Peço desculpa mas cometes-te um erro de cálculo :-) Vá, faz lá as contas outra vez para perceberes que ainda te falta tudo para que, ao longe, sintas o princípio que se aproxima... Beijinhos.