Há olhares enigmáticos
Que nos penetram até à alma
Desnudando-nos de segredos...

Falam-nos das cores
Dos cheiros
E dos sabores
Dos desejos...

Falam-nos dos risos
E dos choros
Dos sentimentos
E dos voos dos sonhos...

Depois
Vestidos de candura
E embevecidos de serenidade
Talvez cegos p'lo encantamento
Do efémero momento que foi
O da paixão
Ainda vagueiam
P'los recantos do pensamento
Reavivando memórias antigas...

E aí
Completamente perdidos
Da sua própria razão
Por se fecharem à luz
Que lhes encandeou a realidade
Ainda nos falam sem mágoas
De cumplicidades...

Há olhos que nos gritam
Tantos
Tantos silêncios...
Que nos ensurdecem
Por completo!



Cravaram-me uma estaca
Na alma!...

Apoderaram-se do meu tesouro
E deixaram-me prostrada
Num chão
Nojento e pegajoso
Pejado de mentiras esventradas
E de odor pestilento

E são às dezenas os sorrisos...
Cínicos!
Que na pressa da retirada
Lhes caíram do rosto
E se espalharam no meio da podridão

Pobres criaturas sem palavra
Que de tão miseráveis que são
Atraiçoam quem lhes deu o pão
Nos dias mais negros
Da fome apertada

E salvaram quem nada lhes deu
A não ser a ilusão
Daquilo que não passa
De um redondo nada...

Mataram
E fugiram todos
Montados na mula da cobardia

Salvou-se um estranho silêncio
Que paira num ar irrespirável

Morri sozinha
Sem glória alguma
Com a dor da desilusão

Não mais voltarei
A pisar o chão que me viu morrer!...



É negro
O fundo
Da tela
Onde escrevo


O que escrevo?
Coisas simples
Coisas pequenas
Que me vão saindo
Do pensamento


Umas serão amargas
Outras serão doces
Terão o gosto que tiverem
Saberão ao que quiserem...


Escrevo-as como as sinto
Com a singeleza das letras
Que encontro
Ao acaso
Por onde passo
Nas esquinas dos dias

Quando escrevo?
Não tenho horas marcadas
Nem compromissos que me prendam
Tenho momentos...


Pode ser hoje
Pode ser agora
Mais logo
Ou amanhã


Porque escrevo?
Talvez seja pela necessidade
De conjugar os verbos
Que outros
Chamarão de versos
Com ou sem rimas
Pouco importa
Desde que me façam sentido

Negro
É o fundo
Da tela
Onde escrevo
Absorvida no meu pequeno mundo
E embalada pelo sossego
Do meu silêncio...


Antes de mais, gostaria de agradecer à Juvelina Pereira, por ter aceite de imediato o pedido que lhe fiz , de escrever o prefácio deste meu livrinho. Depois, quero agradecer à editora Temas Originais por ter acreditado na minha escrita e por ter apostado em mim , dando-me assim a oportunidade de tornar real algo que até então só existia no virtual. Fizeram um trabalho excelente em termos de edição, pois o livro está lindo.
Quero agradecer também à minha amiga Mel de Carvalho, por ter aceite tão prontamente o convite e o pedido que lhe fiz para estar aqui hoje, sentada nesta mesa e ao meu lado, nesta minha apresentação. É um prazer e uma honra!





E por último, quero agradecer a todos os meus amigos, alguns de infancia, outros ligados pelos mesmos laços da terra que me viu crescer e aos que fui granjeando ao longo da vida, pelas mais variadas razões, alguns são simultaneamente meus colegas de trabalho também.
E depois, aos meus amigos mais recentes , todos eles conhecidos através do admirável mundo da internet e mais precisamente do mundo da poesia e dos sites a que estamos ligados e onde estreitamos os laços da amizade que nos une a todos.
Sem a vossa presença, acreditem que este momento nunca aconteceria!





São impulsos que ganharam asas nas minhas mãos...
O desafio de os arrancar do fundo do meu sentir e a vontade de os libertar , qual pássaro aprisionado numa gaiola anos a fio, a quem se abre a porta e se lhe oferece a liberdade ansiada.
A simplicidade é o manto com que cubro as minhas palavras, despidas que estão de qualquer maquilhagem que as tornasse mais belas, mais atraentes e mais sofisticadas. Gosto delas assim, pois são o reflexo espelhado da minha alma. Quem me conhece sabe que eu sou assim, tão simples como elas.




Acredito que tenho vários "eus" dentro de mim e por isso são muitas as vezes em que me reinvento no que escrevo e nem sempre escrevo o que sinto... observo o que se passa à minha volta, invento personagens e escrevo o que eles me ditam.
Outras vezes, vagueio nos meus pensamentos e mergulho nas recordações que guardo de um outro tempo, trazendo-as à luz do dia sob a forma de uma espécie de poesia...
Sim, são impulsos meus que me saíram a pulso, por acreditar que o conseguiria.
A prova disso mesmo é que hoje eles estão aqui, têm um rosto e um corpo e são os meus In Pulsos.



Quero aqui fazer um agradecimento especial ao Rouxinol de Pomares e a Mel de Carvalho, pelos respectivos destaques que me deram nos seus blogs.
Muito obrigado!



Maria é o meu nome
E sou o fruto prometido
Que brotou da imaginação
De um poeta e prosador
Que habita
Ali para os lados de um site
Onde estende com orgulho
Toda a sua escrita
Urdida
E muito bem ugada
A preceito

Um dia
Levado que foi
Pela aventura
De outras coisas
Que tais
Que não fossem as demais
As banais...
Deu-me vida e corpo

E que corpo!

Que outros logo desejaram
E alguns até salivaram
Com os olhos gulosos
E esbugalhados
Que lhes adivinhei
Sem demora

Daquilo que lhes contava
Nas páginas abertas
Do meu diário
Numa espécie de confessionário
Sem preconceitos
Nem padre

Sei que já me espreitaram
Pelos buracos da rede
Onde só me viram as meias...

Maria é o meu nome
Sou jovem e enfermeira
Especializei-me na cura
De toda e qualquer maleita...

Procuraram-me nas letras
Acariciaram-me em segredo
No calor e no aconchego
Do seu devaneio...

Inventaram-me até um rosto
Um rosto que nunca antes viram
Mas que pode muito bem ser
... este!




Este poema foi inspirado no livro de José Torres, "Diário De Maria Cura".
Lá estarei ao pé do autor e de mais duas mulheres, as três às voltas com um romance de deixar água na boca...
Logo de seguida, será a vez dos meus In Pulsos .

Até lá!