Nos momentos vazios que me assaltam e me perturbam a quietude dos sentidos, escuto vozes estranhas dentro da minha mente, que me falam de um outro tempo, de uma outra vida, onde talvez já tenha estado...

Estranhamente, deixo-me levar sem resistir e viajo à velocidade da luz, entrando num buraco que se move em espiral, num remoinho que me suga e me transporta para lá do real, entrando assim num outro mundo, onde o tempo não conta, pois não existe relógio nem bússola, que o marque no mapa do explicável...

Estou a dois passos da porta de uma casa que reconheço, embora me pareça diferente vista deste lado. Entro sem vacilar, movida por uma força invisível que me atrai , tolhendo-me os reflexos contrários que me impedissem de o fazer. Os meus olhos procuram por algo que me seja familiar...

Subitamente, quedam-se num pequeno objecto pousado numa velha cómoda, encostada a uma das paredes da sala, que, agora tenho a certeza, já lá ter estado!

É uma moldura antiga, que guarda uma fotografia esbatida e quase apagada, mas onde ainda se percebem as feições do rosto sorridente, que me causa um arrepio inesperado. Aquele olhar penetrante, que me rasga a carne e me penetra até à alma, jamais o esquecerei... reconheci-te de imediato!

Eras tu, ali preso há séculos, segurando um instante com um sorriso, de um tempo passado... num tempo em que não te conheci...



29 impulsos:

Carla disse...

memórias que nos assolam o pensamento e a alma
...belas as tuas palavras
bom fim de semana
beijos

Paulo Afonso disse...

Bela prosa!
Já te disse hoje que gosto muito de ti?
E do que escreves também?
Boa viagem ao passado.
Gostei

Beijo

Anónimo disse...

beijo-te
porque gostei de ver ler ouvir sentir-te

su disse...

Espero que esta viagem ao passado tenha continuação...fica-se preso às palavras e queremos mais.
Quem sabe o que já tivemos ou o que teremos ainda mais para viver? Se não atingimos aquele estado que se necessita de iluminação as nossas vidas serão jeitos de elipses que continuarão d evida em vida até se chegar a algum lado...até lá, tudo nos soará como remotamente conhecido e familiar...

Um beijo em fio.

Por entre o luar disse...

:) simplesmente fenomenal..:)

Beijinho e sOrriso*

Anónimo disse...

Impulsos,

Há momentos que, de tão instantâneos que foram (são), basta um olhar para os manter...

Quantos de nós não têm os olhos entulhados (alguns flamejados também) de momentos-ápice?

Linguisticamente muito rico...

Um beijo para si, José

Pássaro das flores disse...

Extremoso, amoroso e pleno... Profundo!

SAM disse...

Lindo, Cléo. Um "dejà vu", ricamente narrado. Acontece-me muito e as minhas filhas com nitidez impressionante e comprovação muitas vezes de fatos. Gostaria de saber.

"Eras tu, ali preso há séculos, segurando um instante com um sorriso, de um tempo passado... num tempo em que não te conheci..."

Me encantou a riqueza poética da narrativa.De cabo a rabo. Lindíssimo!

Beijos com carinho

antónio paiva disse...

li-te
entendi-te

beijinhos

Encontro de Olhares disse...

Um dejà vu que nos acontecesse tantas vezes... Terás a resposta?

Leitura rica, amiga!

Fui ao teu outro cantinho "solemio" e amei! Impressionou-me o relato do que aconteceu à tua colega!

Beijos mil***
Manuela Fonseca

JuvePP disse...

OLá Cleo,
Sempre que revisito este cantinho fico surpreendida com a imensidão da tua alma e o poder da tua criatividade.
Beijinhos. Fica Bem

Dark-me disse...

Deixo-te apenas um sorriso

Dark kiss

In Loko disse...

Adoro estas viagens no tempo que fazemos com o nosso imaginário Cleo, eu também sou assim como sabes, e agora deixei-me ir no embalo que as tuas palavras me deram... me levaram!

Lindíssimo isto e cada vez mais gosto de te ler.. ir contigo nos teus pensares!!!

Beijinhos amiga...

Secreta disse...

Tocam-me sempre tanto as tuas palavras ...

Beijito.

Lyra disse...

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos...

Beijinhos e até breve.

;O)

Vanda Paz disse...

Muito belo

Espero por ti

Beijos

Dias disse...

Resguardo-me de dizer os verbos no vendaval que as cordas te ilustram.

És mais Cleo, quando escreves assim, com todos os sentidos.

Sopro-te um beijo :)

Blueshell disse...

..um blog para revisitar...
Muito bom.

BShell

Carlos D disse...

Ola Cleo

O tempo guardado
numa moldura sorridente
será que é tudo passado
ou a vontade do presente

Beijos e um sorriso

Plum disse...

Excelente***

Bruxinhachellot disse...

mémorias profundas que não se apagam com o tempo.

Beijos de Sol e de Lua.

as velas ardem ate ao fim disse...

as memórias são como os sinais da pele...marcam para sempre.

um sorriso para ti

Taiyoumusha disse...

As memórias são carimbos no passaporte da vida...podemos desfolhar e certificar-mo-nos por onde estivemos!
Deu-me o impulso de cá vir espreitar, e gostei do ambiente.

Azul disse...

Boa noite Impulsos!

Já li e reli este post várias vezes. Está absolutamente fantástico.

Parabéns. Aliás, como sempre.

Beijo
Azul

A. Jorge disse...

Que bom haver impulsos destes!

Um beijo

O ausente

Jorge

http://vagabundices.wordpress.com/

soldadonofront disse...

!! MUITO BOM !!

Serenidade disse...

Magnifico é esse amar, que te transporta para lá do que nossa mente concebe.
Bem hajas pela tua prosa que me transporta para o lado de lá da realidade.

Serenos sorrisos

Oliver Pickwick disse...

Sensações de déjà vu e mistério no mais puro estilo gótico. Baudelaire era mestre neste segmento. Está em boa companhia.
Um beijo!

Um Momento disse...

E recordações da mente que jamais em tempo algum se apagam dos sentires...

Li, senti e arrepiei-me dada a intensidade das tuas palavras...
Parabéns!

Deixo um beijo soprado em tempo presente no teu coração!

(*)