São vorazes
Os pensamentos
Que me chibatam
Constantemente
Estas já débeis
E tão frágeis
De carcomidas
Paredes
Em ruinas

Esborralhadas ruínas
Desta minha
Insana mente
Cujas fendas
Cada vez maiores
São passagens
Secretas
De bizarras demências
Que me vieram fustigar
A pacatez da vida

Passageiras clandestinas
Escondidas nos bolsos
Daquele outro
Que aos poucos
Me ocupou
O corpo
E me encarcerou
Para sempre
Nas masmorras
Do esquecimento
Despojando-me
De tudo aquilo
Que era meu!

De tudo aquilo
Que era eu...

Daquele que fora
Nada restou
Tudo da mente se foi
Se apagou...
Só o oco da razão
Ficou!

E por esse que eu já não sou
Não respondo
Nada digo
Pois que também
Nada sei

Deixem-me...
Exijo silêncio!

Que aqui
Agora
Mora um louco!
Um respeitável louco
Ainda que varrido
Da sua própria
Memória...

4 impulsos:

segredo disse...

E k memória! Lindo e profundo.
Beijinho de lua*.*

Gothicum disse...

Silencio-me...


"Suceda a acção efectiva de reflexão silenciosa. Da reflexão silenciosa virá ainda mais acção efectiva."
(James Levin)


Abraço de Treva

sonho disse...

Deixem-me...
Exijo silêncio!
Há dias assim...
Lindo poema...toca bem fundo em todos os corações:)
Beijo d'anjo

António disse...

Eu sou o eco do que fui, o sufoco do choro que chorei, eu sou sal que derramo e marca trilhos profundos na minha face, eu quem sou?, nem eu sei, sou uma aragem que passa e nada deixa de lembrança, serei a partida sem despedida, então serei a lembrança porque parti.

bjs