Um homem caminha com uma pequena pela mão. Foram por um atalho, pois que a camioneta não passava da Benfeita e até lá ainda era uma boa meia hora a palmilhar o carreiro. Além disso, o bilhete também custava dinheiro, daquele que pouco havia.
A poeira a entrar-lhes pelos sapatos e a tingir-lhes de castanho as meias brancas de sair. Mas isso era o menos. O pior eram os pés a queixarem-se dos tornozelos e os tornozelos a finjirem que não era nada com eles...
Já havia amanhecido entretanto, mas ainda faltam uns bons pares de km até à vila. É preciso apressar o passo, pois o especialista de Coimbra não costuma esperar por ninguém.
_ Pai, ainda falta muito? - Pergunta a pequena já cansada.
_ Não. Não vês que já andamos a maior parte? Daqui até lá é um salto! - Responde-lhe o pai, tentando a todo o custo, apaziguar-lhe o desânimo.
E lá seguiam os dois estrada fora. Agora já no asfalto, mas ainda assim, muito longe do destino que ali os tinha levado.








