Contemplando a inocência...

Em que pensamentos te perdes
Tu criança?
Cheia de sonhos...
Enquanto seguras com firmeza
A rosa vermelha
De sangue
Que do teu vestido se soltou...

No desespero
Deste louco mundo
Fugir...

Daria séculos da minha vida
Para ao teu tornar
E ao pé de ti
Me voltar a sentar...

Alma roubada... trancas ao corpo!


Sou

O que sobra
Das esperanças vãs...

A dor
Que me corrói
As entranhas...

Do corpo
Só me resta
A sombra...

Afogo na alma
As súplicas
Que me queimam...

Sou um nado
Que jaz morto...

Dentro do próprio corpo
A quem da alma
À força o arrancaram...

Quem és tu?

Quem és tu?
Que chegas de mansinho
Sem ser esperada...
Ora te vestes de negro
Como a noite escura...
Ora de branco
Como a alvura da madrugada...

Quem és tu?
Que te passeias sem pedir licença
Pela estrada larga do pensamento
Reparei que te sentas
Quase sempre naquele banco
No tal lugar dos ausentes...

Acaso te chamarás saudade?

Eus...

Tenho um baú de máscaras
São todas invisíveis
Fascinantes...
Uso-as quase sempre
Quando dou vida a outros eus...
Eus que vivem no meu inconsciente
Do outro lado do meu rosto...
Porque nem sempre
Sou aquilo que escrevo
Quando imagino...
Quando invento...
É um eu diferente
Que me dita
E eu... apenas escrevo!

Foi um desses eus que me ditou este escrito aqui

E outro ainda... mais este

Louca paixão de sereia...



Ancorei no teu porto

Onde as gaivotas se passeavam
Pelas suaves brumas da madrugada
Desejei-te ali
Esperei-te um tempo sem fim
Mas a tua presença foi uma miragem...

Pescador dos meus sonhos
Por ti me perdi
Quando em ti entrei
Pela escotilha do encanto
No meu canto de sereia
Naquela noite fria
Ao luar de Janeiro

Sete luas se passaram
E eu não te esqueci...
Vindo em busca de ti
Para aliviar o meu tormento

E hoje... não te vi...

O cansaço tomou conta de mim
Fiz da rocha a minha cama
E descansei o meu corpo
Moído da viagem
Bebi das tuas palavras
Que trouxe comigo em pensamento
E adormeci...

O grito mudo...


O silêncio
É o tudo
No deserto
De um tempo
Fora de tempo
Tardio...

O grito mudo
Que morreu
Antes de ter nascido...

Chegou-me
Num eco vazio...

Deus sabe
O quanto
Do tanto
Que da alma
Me escorreu...

Nem um som se ouviu...

Daquele grito
Que o silêncio
Escondeu...

Debaixo da capa
Que o abafou
Que o emudeceu...

Ser especial


Ser especial
É ser a luz dos olhos de alguém...
É ter um brilho luminoso
Capaz de provocar o sorriso de alguém...
Ser especial
É fazer com que alguém se sinta um tolo
Perante a simplicidade
Despida de adornos
Que veste a alma de alguém...
Ser especial
É sentir a empatia
Como ninguém...
Ser especial
É ser natural
Sendo especial...

**********
Ausente por uns dias...
Prometendo voltar!
**********

As marcas de um sorriso perdido...

Saíste de casa apressada
E nem deste pela sua falta...

Puseste o pé na rua

Ainda no escuro do dia...

A calçada estava molhada

Escorregadia...

Correste para o autocarro

Apinhado de gente de olhar vago...

Com um miúdo no colo

E outro pela mão

Agarraste-te ao varão

Não havia lugar...

Nem sei como te foste lembrar dele

Já tarde e sem tempo a perder!...

É...

O despertador tocou sem dó

Obrigando-te a saltar da cama
Foi logo ali
No recomeço da rotina

Esqueceste-te dele

E deves tê-lo deixado cair

Talvez na cama...
No quarto

Na cozinha

Ou na sala...

Quando chegaste à noite

Bem que o procuraste em todo o lado

Mas do teu sorriso

Nem um pequeno esboço encontraste!...

Quando foi mesmo que deste pela sua falta?
Terá sido hoje de manhã

Ou será que foi na semana passada?!

Ou na outra mais atrasada...

Quando foi a última vez que o usaste?

Não te lembras

Perdeste o sorriso... e nem deste por isso...

De tão atarefada que estavas

No trabalho

No supermercado

Na lida da casa...

A vida levou-te o sorriso

Sem aviso...

E tu... sem te aperceberes de nada!

Hoje apeteceu-me falar de magia...

Hoje apeteceu-me deixar-te umas palavras...

Porquê?
Porque foste importante para mim!
Ainda me lembro do que senti naquele dia, quando, sem esperar, fui prendada com a tua primeira visita ao meu humilde cantinho, onde dava os meus primeiros passos... a medo...
A tua magia entrou por ali adentro, e iluminou todo o espaço que me rodeava, inundando o meu coração e plantando um sorriso no meu rosto.
Ainda me lembro do que escreveste...

"Saltaste o muro, amanheceste o sorriso do futuro e pacientemente esperaste a noite. A lua foi tua cúmplice no misterioso encontro que a cor das estrelas escondeu atrás do seu brilho. Feliz, sentaste-te na pontinha do céu e escreveste palavras doces lembrando o encanto que ainda trazes dentro de ti..."

E foi assim ao longo de muito tempo.
Ajudaste-me a acreditar que também era capaz... acalentando o meu sonho.
Fizeste as delícias de muitos que, tal como eu, esperavam ansiosos pela meia noite... a hora mágica com que nos prendavas com mais um delicioso momento de magia e beleza sob a forma de palavras... a magia das palavras!
Depois...
Bem, depois... outros valores se levantaram e outros caminhos te inebriaram a mente, levando-te a outras paragens, que só tu saberás o seu real valor.
Neste mundo um pouco estranho, vamo-nos cruzando com almas, que, aos poucos, vamos deixando de ver.
A diferença está, em que uns... esquecemos, outros não!
Por mais que queiras apagar o teu rasto de magia, jamais o poderás fazer nas nossas lembranças.
Deixo aqui um exemplo disso e desde já peço perdão pelo meu atrevimento... Mas é lindo demais para que se possa esquecer! A tua magia não pode morrer assim... não pode!...



Esquecer...


Hoje não penso em ti, quero escapar das malhas deste Amor que me faz sofrer, quero navegar por mares mais calmos, menos tortuosos, quero perder-me à deriva de momentos que sonhei e onde tu não pertences, não quero ouvir a tua voz, oiço o mar de sonhos que me leva nas suas ondas de Paz, para um mundo muito longe daqui, fora deste Universo que se virou contra mim, as palavras que te escrevo não são as mesmas que lês, levo as cartas, onde se escondem as palavras que nunca te escrevi, não vale a pena sonhar mais, apenas quero partir.

Texto retirado daqui

Serão desejos roubados?


...
Existem grades douradas
No castelo dos meus sonhos
Não se vêem...
Estão escondidas na torre
Virada para sul...
Naquela que fica
Mesmo ao lado daquela outra
A da fantasia...
Sentinelas armadas
Fazem turnos
Tomam conta...
Escondem desejos
Desejos aprisionados
Condenados...
Na prisão da consciência
Ainda não sei o porquê
De tamanha penitência
Para tão leves pecados...
Rejeito a culpa
Não a quero
Nem me serviria de nada...