Alma roubada... trancas ao corpo!
Quem és tu?
Quem és tu?Que chegas de mansinho
Sem ser esperada...
Ora te vestes de negro
Como a noite escura...
Ora de branco
Como a alvura da madrugada...
Quem és tu?
Que te passeias sem pedir licença
Pela estrada larga do pensamento
Reparei que te sentas
Quase sempre naquele banco
No tal lugar dos ausentes...
Acaso te chamarás saudade?
Eus...
Tenho um baú de máscarasSão todas invisíveis
Fascinantes...
Uso-as quase sempre
Quando dou vida a outros eus...
Eus que vivem no meu inconsciente
Do outro lado do meu rosto...
Porque nem sempre
Sou aquilo que escrevo
Quando imagino...
Quando invento...
É um eu diferente
Que me dita
E eu... apenas escrevo!
Louca paixão de sereia...
Ancorei no teu porto
Onde as gaivotas se passeavam
Pelas suaves brumas da madrugada
Desejei-te ali
Esperei-te um tempo sem fim
Mas a tua presença foi uma miragem...
Pescador dos meus sonhos
Por ti me perdi
Quando em ti entrei
Pela escotilha do encanto
No meu canto de sereia
Naquela noite fria
Ao luar de Janeiro
Sete luas se passaram
E eu não te esqueci...
Vindo em busca de ti
Para aliviar o meu tormento
E hoje... não te vi...
O cansaço tomou conta de mim
Fiz da rocha a minha cama
E descansei o meu corpo
Moído da viagem
Bebi das tuas palavras
Que trouxe comigo em pensamento
E adormeci...
O grito mudo...
É o tudo
No deserto
De um tempo
Fora de tempo
Tardio...
O grito mudo
Que morreu
Antes de ter nascido...
Chegou-me
Num eco vazio...
Deus sabe
O quanto
Do tanto
Que da alma
Me escorreu...
Nem um som se ouviu...
Daquele grito
Que o silêncio
Escondeu...
Debaixo da capa
Que o abafou
Que o emudeceu...
Ser especial
É ser a luz dos olhos de alguém...
É ter um brilho luminoso
Capaz de provocar o sorriso de alguém...
Ser especial
É fazer com que alguém se sinta um tolo
Perante a simplicidade
Despida de adornos
Que veste a alma de alguém...
Ser especial
É sentir a empatia
Como ninguém...
Ser especial
É ser natural
Sendo especial...
**********
Ausente por uns dias...
Prometendo voltar!
**********
As marcas de um sorriso perdido...
Saíste de casa apressada
E nem deste pela sua falta...
Puseste o pé na rua
Ainda no escuro do dia...
A calçada estava molhada
Escorregadia...
Correste para o autocarro
Apinhado de gente de olhar vago...
Com um miúdo no colo
E outro pela mão
Agarraste-te ao varão
Não havia lugar...
Nem sei como te foste lembrar dele
Já tarde e sem tempo a perder!...
É...
O despertador tocou sem dó
Obrigando-te a saltar da cama
Foi logo ali
No recomeço da rotina
Esqueceste-te dele
E deves tê-lo deixado cair
Talvez na cama...
No quarto
Na cozinha
Ou na sala...
Quando chegaste à noite
Bem que o procuraste em todo o lado
Mas do teu sorriso
Nem um pequeno esboço encontraste!...
Quando foi mesmo que deste pela sua falta?
Terá sido hoje de manhã
Ou será que foi na semana passada?!
Ou na outra mais atrasada...
Quando foi a última vez que o usaste?
Não te lembras
Perdeste o sorriso... e nem deste por isso...
De tão atarefada que estavas
No trabalho
No supermercado
Na lida da casa...
A vida levou-te o sorriso
Sem aviso...
E tu... sem te aperceberes de nada!
Hoje apeteceu-me falar de magia...
Hoje apeteceu-me deixar-te umas palavras...

Esquecer...
Hoje não penso em ti, quero escapar das malhas deste Amor que me faz sofrer, quero navegar por mares mais calmos, menos tortuosos, quero perder-me à deriva de momentos que sonhei e onde tu não pertences, não quero ouvir a tua voz, oiço o mar de sonhos que me leva nas suas ondas de Paz, para um mundo muito longe daqui, fora deste Universo que se virou contra mim, as palavras que te escrevo não são as mesmas que lês, levo as cartas, onde se escondem as palavras que nunca te escrevi, não vale a pena sonhar mais, apenas quero partir.
Texto retirado daquiSerão desejos roubados?
No castelo dos meus sonhos
Não se vêem...
Estão escondidas na torre
Virada para sul...
Naquela que fica
Mesmo ao lado daquela outra
A da fantasia...
Sentinelas armadas
Fazem turnos
Tomam conta...
Escondem desejos
Desejos aprisionados
Condenados...
Na prisão da consciência
Ainda não sei o porquê
De tamanha penitência
Para tão leves pecados...
Rejeito a culpa
Não a quero
Nem me serviria de nada...







